Eu até me esqueço da importância que esse espaço tem em minha vida, na forma como eu vejo o mundo diferente com o passar dos dias, o passar dos anos. Já aconteceu de ler textos antigos e duvidar que fui eu mesma que os criou, justamente porque a constante evolução transforma nossa forma de ver a vida.

Sou grata por esse espaço e pela forma como eu me encontro aqui sempre que me sinto desorientada sobre o futuro e o passado. É questão de resiliência e eu encontro ela por aqui.

E é inevitável não dar certo. Porque precisa ser um fim pra se criar o recomeço.

Existe uma peneira.

Eu não me perdoei ao desconfiar da minha própria peneira quando te reconheci pelo mundo, até porque você aparentemente se encaixava como ninguém nunca se encaixou nos meus trejeitos, na minha vida. Então por que não dá, se eu já achei que tinha dado?

Porque a maldita acertou mais uma vez. Na hora revoltei, bati o pé e pensei que não era possível MAIS UMA VEZ. Mas na vida sempre é, porque a função dela é exatamente essa: surpreender até quem tá acostumado com a inconstância. E quando você bate na minha porta de madrugada e pede insistentemente pra entrar, eu fico aos berros com a minha peneira que insiste em me lembrar de tudo aquilo que eu não enxergo quando sinto teu cheirinho encantador de moço bom.

Vou resistir!
Porque não posso duvidar de quem já tanto me ajudou.

E o dia que finalmente bater meus olhos de frente com teu peito pela última vez, vou olhar pra cima aos pouquinhos, com aquele ar de velório e só colocar a culpa nela:

– desculpe, mas a vida me ensinou a peneirar!

Então fique bem, meu bem.

Resiliência.

Certo dia um amigo me presenteou com uma observação:
– Colocar a resiliência em prática é tão natural pra você.

Sim. Eu concordo até hoje. Mas é óbvio que isso não nasceu comigo, eu aprendi com o passar das dores, porque cresce com mais facilidade se você for do sexo feminino.

Não é por nada não, mas só quem já engoliu o choro em frente de figuras importantes algumas vezes para demonstrar força e maturidade entende bem do que estou falando. Tenho 25 anos e ainda passo por dias que a minha única vontade é ficar na cama repassando meus problemas e lamentando por cada um deles como se fosse uma apresentação de slides mental. Mas eu prefiro levantar mais um dia, esconder as olheiras e seguir a semana com todos as tarefas cumpridas.

tumblr_static_tumblr_static__640

Essa segunda-feira é 13, o meu número favorito e com um significado mais singelo dessa vez. Estou com meu café quentíssimo na mesa, esperando que as nuvens levem embora esse clima pesado e me tragam mais um sol. A noite passada não foi fácil, mas é o lance da resiliência, eu não quero deixar esse meu título de lado.

O que 2016 levou de mim.

Lá no início, me levou o emprego e uma boa parte da confiança que eu tinha no meu potencial, em seguida resolveu levar todo o meu medo e me colocou pra longe daqui. Em outro país, o ano acabou levando temporariamente a presença física de muita gente que eu amava, também aproveitou a mesma ocasião para levar definitivamente a confiança que eu tinha em algumas amizades.

Levou o medo de enfrentar muitas coisas sozinha, também levou alguns conceitos antiquados e super caretas que carregava há anos. Tomaram um novo rumo o David Bowie e também o Professor Girafales que tanto construíram minha visão sobre as coisas da vida e alegrias infantis. Foi uma reviravolta de crenças sociais, políticas e econômicas que me fizeram perder bastante a fé no futuro.

Fátima e Bonner, Angelina e Brad, Caio e Jout Jout, dois grandes e próximos amigos que me roubaram várias horas repensando sobre o amor eterno. Também teve quem confirmou o amor eterno quando levaram suas maiores esperanças antes da hora. Além disso, o temível 2016 levou um sentimento gigantesco que eu custava em largar.

Teve também um pedaço importantíssimo da minha vida que ficou quase 90 dias ‘levado’ por outro impulso que consumia muito das energias na minha casa. Levou meu time do coração inteiro em um avião que não chegou no seu destino, com isso também um pedaço da alegria e orgulho que contaminava minhas semanas. Transformou minha cidade em um mar de lágrimas!

Hoje eu vi uma frase importante: 2016 foi o ano da afirmação “nunca imaginei que isso aconteceria um dia!”. Então a gente vai honrar todas essas PERDAS e assim converter o próximo ano em inúmeros GANHOS!

2017, meu saldo tá negativo e eu vou trabalhar muito pra positivar. 
giphy

Quando uma demissão se torna o melhor acontecimento da sua vida.

Eu ainda não tinha parado para pensar o quão significativa uma demissão pode ser na vida das pessoas, foi justamente ao consolar um amigo que também perdeu seu emprego nessa semana que eu cai na real, porque foi mais ou menos assim:

Fim do mês, fim do ano e eu planejando minhas férias com o décimo terceiro salário que receberia. Apesar da estabilidade financeira, os anos de 2014 e 2015 foram uma grande merda pra mim, me via frustrada e todos os dias buscando uma nova atitude para a minha vidinha medíocre, onde conquistei muitas coisas materiais e poucas experiências de vida. Enviei milhares de currículos para outras cidades e fiquei com a bundinha bem cômoda na minha cadeira, imaginando que a vida se mudava assim mesmo.

Era uma terça-feira, início do mês de dezembro, quando fui chamada na sala de reuniões e minhas superiores informaram que não precisavam mais de mim a partir do próximo mês. Natal, demissão e muita frustração em busca de respostas para os meus erros… Seria mesmo culpa minha ou da economia? Os questionamentos eram diários. Fiquei um tempo ali choramingando a desgraça e vitimizando os acontecimentos até que deu um estalo na mente e no coração e assim resolvi: eu vou embora daqui, pô!

giphy.gif

Pesquisei várias possibilidades, resolvi que viajaria por aí e assim fiz. Meu destino era Buenos Aires, passaporte na mão e muita coragem nessa face que até então só se escondia… Nunca havia hablado español antes, me vi em inúmeras situações divertidas, aprendi a andar de metrô sozinha e me arrisquei alugando um apartamento compartilhado com pessoas que nunca vi na vida. Só sucesso! Fiz entrevistas em incríveis multinacionais – ATÉ NO GOOGLE ARGENTINA -, conheci um grupo super legal de brasileiros durante um walktour, bebi muito vinho e cerveja artesanal, senti saudades da família e dos amigos todos os dias. Aprendi facilmente o idioma, descobri que a Argentina é um lugar de pessoas divertidas e muito hospitaleiras, todas as semanas participava de festas que acolhiam gente do mundo todo e assim tive laços com peruanos, venezuelanos, americanos, canadenses e australianos. Foi DEMAIS!

globe-map.gif

Aí um dia eu resolvi voltar, porque já tava Dora Aventureira demais e meu signo não permite tanta emoção em tão pouco tempo. Tive uma semana para matar a saudade e decidir se arriscava viver em uma nova cidade aqui no Brasil ou ficava mais um tempo em Chapecó para refazer meu caixinha ($$)… Foi então que recebi uma proposta de emprego e fui trabalhar de carteira assinada. Nas primeiras horas já me peguei em uma sensação de retrocesso tão grande, inexplicável! Lá estava eu de novo, batendo ponto todo dia e fazendo nada mais que a minha obrigação enquanto lembrava dos últimos meses insanos que vivi. Foi aí que eu sai para almoçar e não voltei mais, pelo simples fato que não sou obrigada a viver de novo tamanha frustração!

Vim correndo conversar com meus amigos de anos e colegas de vários projetos antigos, dos quais ainda me orgulho muito, sobre uma nova ideia empreendedora na comunicação digital da cidade. E não é que o projeto saiu do papel e aqui estou hoje? Tenho meu negócio, as coisas estão caminhando em uma velocidade incrível e cada dia eu vivo um novo desafio maluco. Volto para a situação de consolo a meu amigo nessa semana e da qual resumi para ele como uma espécie de motivação: só morei fora do país, aprendi um novo idioma e montei minha empresa porque fui demitida, se não estava lá pensando no meu décimo terceiro salário de novo.

Valeu a pena? PORRA!!! Muito obrigada pela demissão, foi sem dúvidas a melhor coisa que aconteceu na minha vida até hoje. Vivo da inércia e aqui continuaremos em eterno movimento, SIM SENHORA.

anigif_enhanced-4627-1443728379-11.gif

XO

Não pare de acreditar.

Esse título não é um conselho, é uma obrigação.

Perder a fé não costuma combinar com as minhas atitudes, mas é óbvio que existem tempos difíceis em que nos quetionamos sobre evoluir, crescer, renascer. Coisas assim… Que se precisa muito.

Estou aqui com meu café saindo fumaça e tentando imaginar quanto tempo fazia que eu não sentia tanta vontade de trabalhar. Que o tempo passou voando e as coisas a cada dia ficam mais intensas, sabe? Só cheguei nessa simples reflexão porque a trilha sonora nesses últimos meses recheados de derrota só tem sido uma:
“Não pare de acreditar, agarre-se nesse sentimento….”
bee_logo4

Uma questão de sorte.

Com o passar dos anos eu perdi a conta de quantas escolhas bobas já fiz, com isso também pude perceber a importância de não viver só de acertos.

Em menos de vinte e quatro horas passei por três decisões que transformaram meu destino assim como a escolha da direção correta em um cruzamento repleto de paisagens distintas e em alguma delas você se vê seguindo os sonhos, um passo de cada vez, sabe como é…

large

Eu vim aqui contar pra vocês sobre persistência e não, eu não sou um exemplo disso. Até porque há poucas semanas fiz a escolha de desistir de uma cidade que só me trouxe dificuldades, o que significa que minha fraqueza sempre foi maior que a persistência. Mas sabe o que? Ser humana é isso.

Hoje, por algum motivo que eu ainda não sei exatamente qual – espero de coração que o futuro me mostre ele – eu tomei a decisão que fecha um grande ciclo da minha vida, repleto de questionamentos, frustações e desencontros. É nele que eu quero me basear para adquirir um pouco mais da persistência que não tive durante todo esse tempo de fracassos e conquistas. É por isso que vou terminar essa promessa de novos tempos me desejando sorte… Sim, SORTE, porque sem ela eu não teria tantas oportunidades pra mudar meu destino e a liberdade de fazer essas escolhas.

 

Não vou dizer que não deu.

E aí, deu certo? 

É inadmissível afirmar que não deu, porque de certa forma até que deu. Porque eu cheguei aqui com a esperança de renovação, mas esqueci que aterrissei num território com mais de 480 anos e já deu tanta treta por aqui que eu juro que sinto uma energia bem diferente.

Sim, eu estou falando novamente de Buenos Aires, mas dessa vez de um lado nem tão maravilhoso assim. Não quero polêmica, somente sinceridade. A cidade é maravilhosa e isso eu nunca vou negar e na visão de quem chega com dinheiro, passeios turísticos programados, roteiros nos melhores restaurantes e principalmente uma data para voltar. Agora eu vou explicar um pouco da minha situação ao chegar aqui, com um orçamento mensal apertadíssimo, necessidade de alugar um cubículo caríssimo o mais breve possível, sem a possibilidade de conhecer restaurantes e com informações turísticas de blogs e conhecidos.

Cheguei aqui e fui completamente encantada por Puerto Madero (quem não é?) e sua imensidão de construções e tudo o que tem de mais lindo em uma cidade, depois vieram os pontos mais famosos como a Casa Rosada, Congresso, Recoleta, Plaza Itália e tudo o que os turistas adoram pra um close. Em meio a isso, eu estava morando de favor na sala do apartamento do meu amigo que já vive com mais três pessoas, fui às pressas em busca de um colchão que carregamos nas costas (aiii meu carro nessas horas) e sem saber muito bem como conviver sem privacidade, já que euzinha preso tanto por ela. Aí rolou um pequeno impulso que fez o desespero bater pra encontrar o lugar que seria meu lar nessa cidade imensa, lá vou eu em busca do aluguel mais barato, porém, confortável na medida.

Em um sábado eu encontrei um quarto que nas fotos parecia lindo, ficava pertinho do meu amigo e o melhor que era barato (comparado com os outros, caríssimo se comparado com o Brasil) e já resolvi visitar e fechar negócio. Chegando no prédio eu descobri que o convívio seria com mais quatro argentinos, mas teria um lavabo e um quarto só pra mim. Ok. Aceitável, pelo preço. Não era o mesmo quarto do anúncio, era um que ficava em cima da cozinha e já percebi que os odores culinários fariam parte da minha rotina. Nem parei pra perceber o quão velhos eram os aposentos, já que a oportunidade de ter privacidade novamente berrou aos meus ouvidos. Eu confesso pra vocês que não me arrependo completamente, mas foi uma decisão bem bosta a que eu tive. Culturas diferentes, aposentos antigos, compartilhar chuveiro, cozinha e seus utensílios…. Nada, nada, nada fácil! Pra vocês terem uma ideia do drama, cheguei ao cúmulo de chorar porque encontrei o fogão completamente sujo de gordura (chega uma hora que acumula, sabe…).

Mas isso não é o pior, eu nem vou chegar lá! Insegurança é o lema da cidade grande, isso eu sempre soube e não é por ser coloninha que vou me esquecer de algo tão importante. Acontece que me peguei um dia, às 4 da manhã e sozinha (porque as colegas resolveram permanecer na gandaia que eu não curti) muito próxima de uma Zona perigosa e fazendo 8˚C, esperando um ônibus chegar no ponto ou no impulso de pegar um táxi com um desconhecido (mulher não pega táxi sozinha aqui, minha gente). Falando em mulheres, como sofremos em uma cultura diferente que permite um número absurdo de assédio nas ruas, de forma perseguidora e muito desagradável. Já saí de casa de cara lavada e moletom, rezando pra não ser assediada e vocês pensam que adianta?

Acontece outro fator (já comentado por aqui) que a solidão é um grande problema nessa selva de pedras, muitas vezes você imagina ter amigos inseparáveis que no fim te demonstram que a necessidade deles sempre vai impor a necessidade do próximo e isso não deve ser julgado de forma alguma, por mais que machuque. Somos seres humanos com deveres e responsabilidades, rotinas e indisposições. Mas eu me peguei repensando tanta coisa e isso incluiu minha forma de agir perante reais amigos, apenas colegas e aqueles que se importam independente de tudo.

tumblr_static_tumblr_static__640

Tá. Eu só falei mal e sei muito bem disso. Mas novamente, não quero ser polêmica. Só estou dizendo que não deu, mas também não dá pra dizer tanto assim. Porque eu cresci muito com essa miserável experiência e não estou entregando os pontos, só selecionando um novo destino. Eu posso contar nos dedos de uma mão os momentos felizes que passei nesses últimos meses (e por isso também a inspiração pro blog sumiu), mas se estou dizendo que ainda tem muito o que dar é porque eu quero mudar essa situação o mais rápido que eu conseguir. Por isso mesmo… Tô chegãno, ein!